Mancha sai.
Nódoa, não.
Pinho sol
Pão quente saindo do forno
A música “Casinha Branca”
Cheiro de banho tomado
Pôr do sol
A cor de uma Moqueca baiana
O cheiro de Galveston
A música “Ben”
O ardor de uma pimenta
A vibração sonora de uma voz grave
Alfazema da Phebo
O som de um trovão
Maresia
Barulho de avião rasgando o céu
Gargalhada alta
As mais belas canções e as mais tristes
Os olhos de Logan
A textura de minhas veias saltadas nas mãos e braços
O lunar na testa
Cheiro de feijoada
O desenho do meu nariz
Barulho de mercados e feiras
Canto de bem te vi
O som do seu nome…
Luis.
E o sal dessas lágrimas temperando esta saudade que não sei mais como mensurar.
As suas perguntas sobre as coisas deste mundo através da de sua ótica infantil são as mais interessantes perguntas que eu já escutei - de adultos e crianças.
O seu interesse pelo fundo do mar, furacões, dinossauros, tornados, tempestades e alguns carros é o motivo de muitos dos meus risos.
Eu amo quando você acorda e corre para me abraçar me dando “bom dia!”, sempre em Português. Desde os seus quatro anos, de vez em quando, você lembra ao seu pai que ele precisa encontrar outra mulher porque você vai casar comigo quando crescer.
Eu sempre me surpreendo quando você corre em minha direção dizendo que sou a melhor mãe do mundo e a mais linda de todas… honestamente, esse é o único momento que acredito nestes atributos. É quando você diz, filho.
Você é falante e engraçado. Cria um monte de piadas e sempre fico com a impressão de que só eu entendo algumas delas. Sua gargalhada é tão contagiante que quem está a sua volta rir com você sem nem entender o motivo.
Ficamos orgulhosos de você quando se desafia a ler textos mais complexos com vocabulários desconhecidos. Você sempre diz que vai conseguir e vai fazer acontecer e faz mesmo, mesmo quando atropela algumas palavras.
Você conta histórias com uma empolgação maior do que a própria história, elas acabam por se tornarem mais interessantes porque você as conta e eu não perco um detalhe sequer. Conte-me todas, filho. Eu sempre vou te ouvir.
Em nossa família, você é sempre o último a terminar de comer exceto quando temos sobremesa. Daí, você é o primeiro a terminar. Nem o Senna ganharia de você nessa.
Você é corajoso e forte como o seu pai. Abre porta do carro e dos lugares para sua irmã e para as pessoas. Traz flores para mim dos jardins. Você é persistente e ágil como eu. Você ama tanto a sua irmã que me emociono quando flagro vocês cuidando um do outro.
De vez em quando, você olha pra mim com um olhar que só você sabe fazer - um olhar apaixonante e lânguido, parecendo Romeu admirando Julieta - e você já percebeu que esse é o meu ponto fraco. Eu não consigo mais te pegar no colo pra dançar comigo em seu aniversário mas você pega em minha mão e dançamos os passinhos dois pra lá e dois cá de todos os anos.
Outro dia, no meio de uma lição sobre uma espécie de sapos, eu te perguntei qual era a função daquele tipo. Você respondeu corretamente e já se preparava para a pergunta seguinte. Então, te perguntei o porquê Deus te criou. Você estava sentado em frente a mim e, me olhando com uma voz tranquila e segura respondeu:
“Para honrá-lo através da minha vida!”
Eu tinha mais perguntas sobre a reprodução e vida daquela espécie de sapos para fazer, meu filho, mas encerrei nossa aula de Ciências daquele dia ali mesmo pois o que pode ser mais importante entre todos os livros, enciclopédias, experimentos e conhecimentos deste mundo do que um menininho de 6 anos saber que sua vida foi criada para honrar o seu próprio Criador?
Filho, você me faz fechar o olho e descansar. No dia de seu aniversário de 7 anos, eu agradeço a Deus pela sua vida, pela sua existência e por tudo que Ele ainda fará em sua vida para que você possa honrá-lo.
Nós amamos você, Logan!
Antes de você nascer, eu já o amava, só não sabia que conseguiria te amar mais e assim, desse jeito. Não existe sacrifico em amar você, sua irmã e seu pai. Tudo que eu faço, é o que o amor é: doação! O amor é o que o amor faz e é uma honra para mim ama-los e cuidar de vocês diariamente… no detalhe, com minhas mãos em tudo que eu posso alcançar, com minha mente e coração abertos para esta missão que é a de ser sua mãe até o dia que Deus me permitir.
Com afinco,
Mommy
"Os outros eu conheci por ocioso acaso. A ti, vim encontrar porque era preciso."
— João Guimarães Rosa em carta a Aracy M. de Carvalho (1946). In: Fantini, Marli. (Org.). A poética migrante de G. R. BH: Ed. UFMG, 2008.
Pai
Pode ser que daqui algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez
Pai
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz
Pai
Pode crer, eu tô bem, eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer
Pai
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Pra falar de amor pra você
Pai
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco, tua voz tá tão presa
Nos ensina esse jogo da vida
Onde a vida só paga pra ver
Pai
Me perdoa essa insegurança
É que eu não sou mais aquela criança
Que um dia, morrendo de medo
Nos teus braços, você fez segredo
Nos teus passos, você foi mais eu
Pai
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai
Você foi meu herói, meu bandido
Hoje é mais, muito mais que um amigo
Nem você, nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai (composição: Fabio Jr. - 1978)