sábado, 4 de julho de 2026

Não queira saber, meu bem

Não queira saber, meu bem, não queira

Não queira saber dos meus desejos mais tolos 

Não queira saber, eles são seus também e não são poucos 

Seus dedos povoam os quatro cantos do meu corpo 

Essas súplicas são para mim verdadeiros deleites

Seu olhar lânguido revela o que você  não diz melhor do que qualquer bilhete  

Suas fantasias secretas, eu imagino uma por uma, noite após noite, labirintos, passagens secretas, esconderijos cheios de poços e não “possos”


Não queira saber, meu bem, não queira

Saber dos meus desejos mais tolos


Eu seria expulsa de manicômios 

Psiquiatras criariam novas teorias 

Nem o mar, nem os céus nem mesmo o mais antigo escriba traduziria

É a sua voz o comando da minha 

Já cansei de desenhar como seria 

As suas pupilas não são suas 

São dilatadamente o reflexo das minhas 


Não queira saber, meu bem, não queira

Saber dos meus desejos mais tolos 


As minhas reticências não se findam, elas querem  sempre mais e um pouco 

Quando eu confesso colapsos arcaicos daqui 

Você os ouve daí? 

Quando eu te chamo em sonhos, seu corpo se agita de baixo das cobertas ou me ignora e parte para seu ofício matinal evitando esta agonia? 


Não queira saber, meu bem, não queira

Nem mesmo eu os quero mais

Eles são inúteis 

Grandes demais para pertencerem á minh’alma tão pequena e

tola