Não queira saber, meu bem, não queira
Não queira saber dos meus desejos mais tolos
Não queira saber, eles são seus também e não são poucos
Seus dedos povoam os quatro cantos do meu corpo
Essas súplicas são para mim verdadeiros deleites
Seu olhar lânguido revela o que você não diz melhor do que qualquer bilhete
Suas fantasias secretas, eu imagino uma por uma, noite após noite, labirintos, passagens secretas, esconderijos cheios de poços e não “possos”
Não queira saber, meu bem, não queira
Saber dos meus desejos mais tolos
Eu seria expulsa de manicômios
Psiquiatras criariam novas teorias
Nem o mar, nem os céus nem mesmo o mais antigo escriba traduziria
É a sua voz o comando da minha
Já cansei de desenhar como seria
As suas pupilas não são suas
São dilatadamente o reflexo das minhas
Não queira saber, meu bem, não queira
Saber dos meus desejos mais tolos
As minhas reticências não se findam, elas querem sempre mais e um pouco
Quando eu confesso colapsos arcaicos daqui
Você os ouve daí?
Quando eu te chamo em sonhos, seu corpo se agita de baixo das cobertas ou me ignora e parte para seu ofício matinal evitando esta agonia?
Não queira saber, meu bem, não queira
Nem mesmo eu os quero mais
Eles são inúteis
Grandes demais para pertencerem á minh’alma tão pequena e
tola
