Não tenho tantos problemas com o espelho.
Nunca tive.
Há um bom tempo não procuro meu reflexo físico. Ainda assim, encarar-me por dentro, mais do que a qualquer outro ser humano, é um exercício constante.
Mas algo mudou desde que meu pai se foi.
Tenho evitado espelhos.
Tenho evitado olhos, nariz, boca: esse rosto que é ele, tão dele… e, a cada dia, menos meu.
Sua falta foi aceita, meu soldado.
Foi vontade do nosso Criador.
E, ainda assim, dói.
Todos os dias dói.
Sua filha
