quinta-feira, 22 de março de 2012

Meu primeiro Haikai


                                                                 Junho começa
                                                                 lembranças daí voam
                                                                 pousa passado!



quarta-feira, 21 de março de 2012

domingo doce



Acordei com Chico (nome do novo CD de Buarque), um lírio no copo d'agua, um bilhetinho que sussurrava coisinhas e um verso da faixa 3 na mesa de cabeceira.
Duvido que alguma abelha tenha provado algo mais doce.


sábado, 17 de março de 2012

Sobre o tempo e umas coisinhas


Conversa entre mãe e filha  by webcam:

- Estou chateada, Lu. Ganhei 3 quilos.
- Diminua a quantidade do que você anda comendo e corta a janta.
- Andei ansiosa, perdendo o controle e comendo muito doce. Você não come quando fica ansiosa, né?
- Não. Continuo com o meu peso de quando tinha 19 mas desde que cheguei aqui, notei o meu rosto mais arredondado, parece inchado, uma papa bem aqui, mainha, olha, vê? Como isso pode acontecer se estou com o mesmo peso de antes?
- deixa ver...


E começa examinar, olhando atenta pela janela do chat. Depois de um tempo, coloca a mão no queixo e manda a pérola:

- Ah, minha filha! Sinais da idade... é a idade chegando e respira fundo que isso é só o começo.

(Gargalhadas!)

Ai, mãe! Você sabe me fazer rir de verdade e me colocar pra cima mesmo quando tudo está, literalmente, caindo. Figura!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Luneta 2008 - A sede II


- Não gosto quando você bebe. Você fica agressiva.
- Não é agressividade. É... sei lá,  é sede. Se eu te contasse, não entenderia.
- Então bebe água.
- Não é de água.
- De água o quê?
- A sede.

(...)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quando o feitiço vira contra o feiticeiro



Cheguei do trampo outro dia e Namorado pediu ajuda para subir no telhado.  Há alguns dias, descobrimos que temos um danado de esquilo entrando pela chaminé e fazendo morada no attic. O bicho faz muito barulho e já sabemos que eles podem destruir instalações elétricas como ratos. 
Nos indicaram colocar uma tal cayenne pepper (um tipo de pimenta) por onde ele está entrando. Eu só confio na malagueta. Sugeri fazermos uma mistura com vaselina, pasta de pimenta malagueta e essa tal cayenne para que o vento não atrapalhasse a operação. Desacreditado que essa seria uma boa opção, preferiu a primeira. "Tudo bem, boa sorte!"
Já no teto, compenetrado na operação 'vou fUder com esse esquilo', passou um vento e...  soprou pimenta em pó direto no olho dele. Desesperado e tentando se equilibrar para não cair do teto, apontou com uma das mãos o que não estávamos vendo anteriormente:
O danado do esquilo sentadinho, nos assistindo, "todo de boa" em uma parte do telhado. Foi difícil não rirmos também. Às vezes acontece... o feitiço vira mesmo contra o feiticeiro. O jeito é rir. 



sexta-feira, 2 de março de 2012

Como os ventos, mudamos.



Um dia desses perguntaram-me sobre minhas possíveis crenças religiosas, para onde o espírito vai quando o corpo morre e quais eram as certezas que eu tinha sobre a vida. Acho que a resposta para a primeira pergunta não foi bem quista. Respondi simplesmente que não sei. Assim, simples: "Não sei para onde o espírito vai e se vai para algum lugar,  não tenho como base de vida dogmas religiosos e hoje sinto-me mais feliz com minhas incertezas e questionamentos."  

Parece que não saber e/ou não responder uma pergunta de acordo com as quais as pessoas querem e esperam ouvir causa muito desconforto e, por vezes, ira. Que pena! Eu vou continuar causando porque sou ateia e enquanto as respostas dadas por dogmas religiosos ou qualquer veiculo de debate sobre tais assuntos não fizerem sentido para mim, continuarei  aberta à novos questionamentos sobretudo à novos modos de ver e entender a vida. 
Já sobre certezas, mesmo sendo elas muitas vezes traidoras, eu me arrisquei em uma somente: "Mudanças. Talvez uma das únicas certezas da vida"  Respondi.

A cada instante, temos ciclos lunares diferentes e com eles o movimento das águas; durante doze meses, temos novas estações da natureza trazendo com elas ventos, cores, cheiros e sabores diferentes. 
Mudamos de endereço, de namorado, do trajeto por onde sempre passávamos, de paladar, de corte de cabelo, país, opinião, humor, religião, atitude, os moveis de lugar, o jeito de olhar a vida. Mudamos o curso de nossa história e até nome de blogue. (:
Perdemos o interesse pelo trabalho porque descobrimos que aquilo que fazíamos não nos dava mais possibilidade de criar; pela esposa porque a relação já não satisfazia; por certas leituras porque não nos saciava mais o prazer e curiosidade, por alguns amigos porque  a essência da amizade se perdeu no caminho, por certos hábitos porque optamos viver de modo mais saudável. 


E assim as mudanças vão acontecendo. Às vezes por nossa própria escolha e outras nos chegam de surpresa, sem pedir lincença mesmo. Algumas grandes e fazendo  pouca diferença, outras vezes pequenas mas tomando dimensões gigantes em nossas vidas. Ora desagradáveis, ora nos enchendo de alegria, nos alavancando de um ponto. Com sensibilidade, podemos ver caminhos extraordinários e isso é possível se deixarmos as velhas amarras. 

Eu que sempre recebi bem a possibilidade de mudanças, que sempre tive o atrevimento d@s aventureir@s,  tenho passado por algumas e, sobre elas, tenho muito pensado, não somente porque estão mudando a mim mesma mas por tudo que tenho visto se transformar em grandes e pequenas proporções ao meu redor.
Vejo alguns olhares mais corajosos apesar dos muitos desafios; vejo esperanças renovadas; vejo também corazones partidos mas ainda firmes apesar das pancadas e do medo de recomeçar sozinhos; vejo falas duras mais flexíveis e pessoas mais dispostas a escutar sinceridades, o que não querem dizer 'verdades' mas merecem alguma reflexão. 

Se mudanças doem, incomodam, se agradam ou fazem feliz, se fazem um mundo de diferenças ou quase nada, eu ainda posso escolher crescer com elas e por isso deixo impresso meu sorriso franco e feliz.