segunda-feira, 26 de março de 2012

Hora do almoço!

e eu aqui comendo livro...



sábado, 24 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Arapuca ou Quando queremos nos expressar e nem palavra traduz


Ele aparecia sempre de manhãzinha e pousava macio-macio no arbusto molhado. Exibido que só ele, danava a cantar e ouriçar a penugem acobreada enquanto eu, da janela, coava o café.
O bicho cantava com uma boniteza espantosa e com ele, toda uma orquestra: besouros, gaivotas, sapos e grilos.
Era um papa-capim e eu o queria! Queria prendê-lo. Prender  para sempre aquele canto  fugaz em mim, tão exposto ao nunca-mais...
Um dia, decidi armar uma arapuca. Com muito cuidado, preparei a caixa. Talisca por talisca. Barbante bem apertado, o fecho da porta o máximo flexível ao ponto que qualquer trisquin e ele já estaria ali, preso, cantando à minha disposição. Para sempre.
Acordei no cochichar do dia, coloquei o grão dentro da arapuca e, ansiosa, corri pra perto da roseira. Voltei o olhar em direção das laranjeiras e lá vinha ele desfilando suave em plena neblina leitosa para me regalar aquele canto de mundos desconhecidos.
Deslizando pelo cardeal Norte, diminuiu a velocidade e quando já ia pousar, um vento soprou a arapuca e, de um só golpe, a fruta ele roubou.
Tadinha de mim! Sonhei possuí-lo e ele voou.
O papa-capim fugiu levando o doce da fruta.
Igualzinho a Palavra.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Meu primeiro Haikai


                                                                 Junho começa
                                                                 lembranças daí voam
                                                                 pousa passado!



quarta-feira, 21 de março de 2012

domingo doce



Acordei com Chico (nome do novo CD de Buarque), um lírio no copo d'agua, um bilhetinho que sussurrava coisinhas e um verso da faixa 3 na mesa de cabeceira.
Duvido que alguma abelha tenha provado algo mais doce.


sábado, 17 de março de 2012

Sobre o tempo e umas coisinhas


Conversa entre mãe e filha  by webcam:

- Estou chateada, Lu. Ganhei 3 quilos.
- Diminua a quantidade do que você anda comendo e corta a janta.
- Andei ansiosa, perdendo o controle e comendo muito doce. Você não come quando fica ansiosa, né?
- Não. Continuo com o meu peso de quando tinha 19 mas desde que cheguei aqui, notei o meu rosto mais arredondado, parece inchado, uma papa bem aqui, mainha, olha, vê? Como isso pode acontecer se estou com o mesmo peso de antes?
- deixa ver...


E começa examinar, olhando atenta pela janela do chat. Depois de um tempo, coloca a mão no queixo e manda a pérola:

- Ah, minha filha! Sinais da idade... é a idade chegando e respira fundo que isso é só o começo.

(Gargalhadas!)

Ai, mãe! Você sabe me fazer rir de verdade e me colocar pra cima mesmo quando tudo está, literalmente, caindo. Figura!