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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

politicus* - Velhos fantasmas


Há pouco menos de um mês a minha cidade natal elegia o candidato ao cargo de prefeito, o veterano já "conhecido" pelo povo, Jabes Ribeiro. Antes de tentar coçar ideias através desse breve desabafo, apresento um dos capítulos da história de Ilhéus. 

"Princesinha do Sul" como é chamada por muitos, Ilhéos para os primeiros portugueses, Nhoe-Kome pelos tupiniquins ou Ilhéus, como é nacionalmente conhecida, tem cerca de 184 mil habitantes com uma economia baseada na agricultura, turismo e industrias.

Foi cenário de alguns romances de Jorge Amado, uma das razões pela qual atraiu milhares de turistas de vários cantos do mundo, além  de possuir uma vasta extensão litoral considerada a maior de todo estado baiano. É assim nomeada por conta das ilhotas existentes no leste da região. 

 Já foi responsável pelo título de primeiro produtor de cacau do mundo e, por conta disso,  viveu o seu momento de glória.  Era no porto estrategicamente construido entre o mar, o rio e os montes que as embarcações dos fardos de cacau eram feitas para Salvador e de lá para o mundo.

Ao mesmo momento que vivia o seu apogeu, Ilhéus também sofreu com o coronelismo, forma de abuso de poder onde a "troca de favores" entre os poderes público e o privado garantia a riqueza de seus detentores.  

Ali, os faraós eram aqueles que possuíam os maiores lotes de terra de cacau, os que orgulhosamente enriqueciam a custo de muita mão-de-obra escrava,  os únicos pertencentes da elite tradicional ilheense, aqueles que esbanjavam banquetes e que, através de muita manipulação, obrigavam seus "escravos" a votarem em seus candidatos conseguindo assim  pomposos números de votos. 

O tempo passou, a vassoura de bruxa levou a "alumiação" do "ouro" e eu sempre ouvi dizer que o povo não tem memória e deixe-me dizer cá uma coisa, deixe: não tem! Nós não temos memória. Em minha cidade natal, o voto de cabresto continua. Vestindo outras capas e usando outras máscaras mas continua.

Continuamos votando e sendo comandados por fantasmas. O ranço do coronelismo ainda paira por essas bandas através dos que ainda oferecem cestas básicas, dos que nos conduzem sorrateiramente através de seus discursos sedutores e nós, famintos de conhecimento, de reflexão cautelosa, de ideias e ideais, de pão e de memória, nós vendemos nossas cabeças a preço de banana. 

Nos vendemos a preço de uma micareta, de um cargo em um tal setor, de uma promoção ou de um palanque cheio de bundas rebolantes. É a velha historinha do Pão e Circo se repetindo. Avé César! E assim vamos  seguindo: regredindo, comendo e nos distraindo, nos vendendo e esquecendo. Nos deixando seduzir por um discurso enganoso com essa tendência cretina que temos de nos corromper por esmola e essa outra tendência triste a de acreditarmos em promessas filhas da puta, essas propostas indecentes que aceitamos pensando somente em nosso próprio umbigo e ignorando o comprometimento coletivo. Eu disse, isso é um desabafo. 

Voltando ao assunto sobre a eleição do prefeito de Ilhéus, eu era criança mas lembro de algo. Lembro pelo menos de três promessas que ele fez para o bairro onde passei toda a minha infância e parte de minha juventude: calçamento em todas as ruas, reforma da escola o qual leva o nome dele, fruto de um projeto do seu antigo mandato e a criação de duas novas praças de lazer. 
Depois de quase 18 anos, seguimos sem calçamento apropriado nas ruas, a reforma na escola não foi feita nesse período e continuamos com uma coisa na entrada principal do bairro que pouco lembra uma praça.

Papeando por aí, ouvi a opinião de alguns conterrâneos sobre a eleição do novo prefeito, entres eles, a de alguns professores que se posicionaram como satisfeitos em relação ao novo líder argumentando que ele, em seus últimos mandatos, pelo menos administrou bem o pagamento de salário de forma que não houve atraso  dos mesmos. Perguntas que faço: administrar eficientemente o pagamento do salário de um trabalhador  é um favor? É razão suficiente para dar-se por satisfeito por uma eleição? Diante desse aspecto, qual é a situação de outros grupos, do povo em geral e da cidade? Interessa-me somente o meu salário, o dos meus colegas, o meu umbigo?

Confesso que desanimei ao ouvir de um servidor público esse tipo de comentário, há os que ainda lembram da quantidade de precatórios que existe do período Jabes Ribeiro por conta do não cumprimento de pagamento de salário em sua última administração. Supostamente, um professor deveria ter uma maior capacidade de análise afinal, comprometer-se com a educação significa também comprometer-se com a sociedade como o todo.

Jabes Ribeiro é também conhecido por ser um grande articulador político, por saber como planejar projetos e buscar recursos, contudo, os que são executados, ficam pela metade e outros abandonados. São quase doze anos de Jabes no poder e há os que ainda tem memória. O problema é que estamos cansados de termos somente grandes articuladores, esses velhos fantasmas. 




Indicações que tangem de alguma forma alguns aspectos do meu desabafo:
O Grande Ditador, 1940. CHAPLIN, Charlie (filme)  http://www.youtube.com/watch?v=LfbTYhX6Dqs
Tristeza do Jeca, 1961.  MAZZAROPI, Amácio (filme) http://www.youtube.com/watch?v=ZGbqL_BkRYs
Ganhei coragem, 2002. ALVES, Rubem (crônica) http://www.rubemalves.com.br/ganheicoragem.htm

* Política em latim 

sábado, 10 de dezembro de 2011

Para além da Semiótica III

Fonte: The Zeitgeist Movement.com

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fome de dizer


Há algumas semanas, postei lá  no A Brazlian Housewife in the USA um texto que falei, entre outras coisas, sobre a saudade que sinto de me expressar através das diferentes formas do dizer, bem peculiares da Língua Brasileira. Entre outras razões, essa saudade talvez deve-se a minha percepção angustiada em relação ao ensino ainda engessado da Língua Inglesa oferecido na maioria das redes de ensino nos Estados Unidos. Tenho uma professora de inglês que, sob o meu ponto de vista, faz um excelente trabalho. É motivadora, “humana” e dinâmica, o que justifica minha opinião sobre sua atuação em sala de aula. Mas um aspecto sobre o ensino de língua que questiono, como também no Brasil, é a resistência que ainda existe sobre a prática de ensino da língua e o ensino da adequação do uso de suas variedades. O/a aluno/a vai para escola para aprender a ler e escrever na língua padrão. Ponto. Ele/a já tem o conhecimento das variedades porque essas já fazem parte do cotidiano deles/as. O ideal seria que a escola desse uma importância maior e mais séria em relação ao ensino da adequação da língua e suas variantes em diferentes contextos, como cito no texto abaixo. A partir desse ponto de vista, venho refletindo sobre a prática do ensino de uma língua para uma não-nativa, ou seja, o meu caso. Eu não falava e nem lia inglês antes de vir morar nos Estados Unidos. Eu não tenho os pés fincados nesta cultura e, portanto, não tenho conhecimento das variedades da Língua Inglesa daqui. Esse aspecto, inerente a língua em qualquer cultura não faz parte do conteúdo programático da escola onde estudo. Em outras palavras, apenas parte de uma língua me está sendo ensinada. O que fazer? Por hora, resta-me vivenciar esse conhecimento out of school. Hoje, resolvi organizar melhor as ideias do texto e postá-lo aqui no DSM, mas não poderia deixar de citar meu contentamento e alegria em saber que está sendo distribuído pelo Ministério da Educação do Brasil o livro Por Uma Vida Melhor de Heloísa Ramos para a rede pública de ensino brasileira. O livro toca nas questões acima mencionadas, preconceito linguístico, adequação do uso da língua, ensino da Língua Portuguesa nas escolas entre outros questionamentos. A mídia anda dizendo que o referido livro está criando polêmica. Será mesmo o livro que está criando polemica? O companheiro Guilherme Caspar lança um olhar diferente aqui: Desconhecimento linguístico, manipulação discursiva ou os dois? Outro texto que aborda questões interessantes sobre o assunto é Quem é o iletrado?, de mesma autoria, e que foi fruto de um comentário que ele deixou e NÃO foi publicado em um tal blog. (babados do mundo da blogosfera, rs)
Desejo aos/as tagarel@s uma ótima leitura!

FOME DE DIZER

Tenho sentido falta de falar Português brasileiro. Arri égua, tenho mesmo! Mais do que isso, sinto falta de me expressar através de “dizeres” peculiares da Língua Brasileira, mais especificamente, os do Nordeste. Não seria diferente já que cresci no meio de pessoas que se comunicavam, a maior parte do tempo, usando uma lista vasta deles. Dos mais engraçados e ricos em significados aos mais carregados de preconceitos, os quais cutucavam sempre a minha atenção, talvez pela possibilidade de análise ainda imatura da semântica, que eu tentava fazer, do que pelo próprio uso “automático” no cotidiano.
Anos mais tarde, a partir dessa inquietação, tive a ideia de escrever um projeto para o CNPq, durante a minha graduação em Letras na Universidade Estadual de Santa Cruz, Ditos Populares na Região Sul da Bahia: Origem e Mudanças. Foi uma viagem massa que me convidou não somente a entender as faces da "língua em pó", mas a continuar entendendo sua diversidade. Foi realmente um convite para:
- Compreender que preciso ter o domínio do conhecimento das regras propostas pela Gramática Normativa, mas vê-la também através de ângulos diversos e assim questioná-la e investigá-la e pensá-la. Sempre.
- Perceber a língua como instrumento vivo, que está em constante mudança e que, exatamente por isso, sua bisavó foi um pitéu, sua mãe brotinho e você é uma gatinha. (se eu não estiver atrasada, claro. rs).
- Repensar sobre o conceito extremista de “certo” e “errado” quando penso na pergunta dirigida para um nativo brasileiro: Você fala bem o Português? "Certo" e "errado"... conceitos ainda tão deturpados nas instituições de ensino e na sociedade.
- Pensar na língua e suas variedades como ferramentas democráticas de comunicação que podem e devem ser usadas, compreendidas e aceitas em diversos contextos.
Depois disso e de acessar outros conhecimentos, troquei meu disco! Hoje, eu penso que o que deveria existir é o direito dos falantes terem o Conhecimento Diverso da Língua Portuguesa! - que para mim, make sense to say Língua Brasileira - Ter o direito ao conhecimento diverso da LB é saber  usá-la livremente, podendo adequá-la em contextos variados. Quanto mais um falante conhece as variedades da sua língua, mais domínio e entendimento ele terá  sobre a mesma e o mundo que o cerca.
 Mesmo apreciando a música francesa e compreendendo significados, mesmo lendo notícias em italiano, falando espanhol, estudando inglês e tentando absorver o máximo de como essa língua funciona aqui, eu ainda não domino essas línguas. Ainda não pratico essas diversas formas do dizer inerentes a elas. Falar uma língua não é dominar um conjunto de regras somente, é saber decodificá-la e compreendê-la a partir de vários ângulos. Então, fica a nostalgia de falar “caralho”, “tomar na sua porra”, “não mexa com fogo”, “muchibento/a”, “pimenta no uc dos outros é refresco”, “quem rir por último, rir melhor” (mesmo não concordando, rs), “de boa intenção o inferno anda cheio”, “vai te catá” , “se pica daqui”, “massa”, “fique na sua” e tantas outras formas do dizer.
Como esse blog é canal de interação e troca de experiências, pensei na possibilidade de trocarmos esse conhecimento. Então você que fala inglês, que domina essa língua, que está aprendendo ou que tem o mesmo interesse que o meu, matemos a fome de dizer e digamos! Mesmo sabendo que dizer FDP e sanavabiti tem sabores diferentes. Diga o que você sabe, qualquer expressão, gíria, ditado popular, linguagem virtual or any way to comunicate.

Desde aqui, minha contribuição. Pebinha... mas é contribuição. rs


1 - “ginormous” (grandão, enorme, gigantesco). Eu ouvia isso toda hora e ficava pensando... “que diabo é isso?” Uma hora o contexto explicou sem precisar de tradutores online ou dicionários.2 - “Frenemy” (amigo/a fingido/a, falso/a, duas caras). É uma mistura de friend (amigo) com enemy (inimigo). Vi em um filme e numa revista e fiquei curiosa. O marido ajudou na explicação.3 - “Let sleeping dogs lie” (não cutuque o cão com vara curta, não brinque com fogo, deixa pra lá). Eu só lembro desses por agora, se lembrar de outros, volto e posto.


Abraço nocês tudin!


Luz

sábado, 21 de maio de 2011

Falando de adornos

Fonte: Google Image 
                                                                         
Um dia desses, recebi de um amigo o endereço de um sítio virtual que mostrava o trabalho em joias de um designer. Trabalho interessante o desse rapaz. (Jewelry - Otto Jakob) Fiquei entretida observando as peças por um bom tempo. Não precisava entender sobre arte em joias para perceber a minuciosidade com que foi elaborada cada uma, as arrojadas principalmente.
Travel with us
Não sou apreciadora de joias, não as conheço e nunca tive vontade de tê-las. O que pode me atrair, ocasionalmente, é a arte que pode ser revelada nelas.
Há quem diga que joia expressa um estilo e gosto pessoal. Outros dizem que, usada como adorno corporal, simboliza ostentação à riqueza. E ainda há os que digam que elas podem ter uma representação importante na tradição de família.
Qualquer que tenha sido a representação das joias, elas sempre fizeram parte da história do homem. A História da Arte está aí para contá-la (o que se sabe até então).       

Semana passada, eu estava lendo um artigo sobre mitologia grega e não sei como cheguei a um que falava sobre o uso de joias desde a pré-história aos dias atuais. Artigo muito interessante por sinal.  (ModaSpot.com) Em outros campos, nos quais as artes se manifestaram, as joias também foram instrumentos para expressar e registrar épocas. Na Idade Média, por exemplo, como a influência religiosa foi grande, toda a simbologia cristã aparece em vários campos, como na Pintura, Literatura e Arquitetura. Essa tendência tambem apareceu na joalharia. Santos, escapulários e anjos eram desenhos muito comuns impressos nas joias nesta epoca. 
Cada material, formato, cor, desenho e técnica usada na elaboração desses ornamentos conta a história de um período numa determinada região. Embora as joias tivessem representações distintas, o que é predominante em grande parte dos períodos é o seu uso como símbolo de segregação social. Falando ainda das joias na Idade Média, elas eram atributos de status, revelando classes sociais, pois somente o Clero e a Nobreza gozavam do seu uso. E acho que o "Clero" continua usando seus anéis reluzentes cravados de símbolos que resistem a séculos, tanto quanto os tetos de seus altares reverenciando um God in gold maciço. 
Nos dias atuais, a Índia produz uma inacreditável diversidade de joias, o que faz do trabalho dos ourives indianos um labor “sagrado”  considerado por essa sociedade que aprecia a qualidade e a técnica por eles utilizadas. Lá, a joia tem várias representações, desde a religiosa à de adorno corporal, além de ter a função de identificar os estratos da sociedade.                     Brilho Bijoux          

Falando ainda desse acessório, como símbolo de poder, em algumas regiões da África, entre o século XVIII e XIX, os metais não exportados eram usados na criação de joias para os chefes de tribos e somente eles podiam usá-las.  
E a simbologia da Nobreza continua... aquela tiara de diamantes Cartier que a moça candidata ao posto de princesa da Inglaterra usou na tal cerimônia real diz muito do que joia ainda representa na sociedade ocidental. Ainda ontem, estava lendo uma resenha sobre esse evento. (Com que roupa) Ela sugere um possível significado para cada traje e ornamento usado pelos protagonistas do "big" evento. Desde o vestido da noiva, que, segundo o  autor, foi uma demonstração pública da sobriedade da monarquia em tempos de crise, à farda vermelha do noivo, destacando o poder e a força masculina. Não poderia faltar, claro, o traje amarelo da tal rainha, enfatizando a realeza e triunfo. Tá, entendi!

De ouro, osso, couro ou diamante, os ornamentos fazem parte da história humana, seja por manifestação cultural ou não.
O modo como nos apresentamos fisicamente talvez seja um reflexo de como queiramos que o mundo nos veja e compreenda. Sendo assim, podemos ser, relativamente, uma imagem que diz.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mesmice


Quando era criança, alguns nomes de mercearias/vendas/botecos/armazéns chamavam a minha atenção.
Secos e Molhados. Era o que lia nas placas ou paredes desses estabelecimentos.
Curiosa, um dia perguntei ao meu pai o que aquilo queria dizer e ele me respondeu que Secos e Molhados são pontos de comercio onde você encontra de tudo um pouco. Pensando nisso, adotei essa ideia e trouxe para esse blogue. Falar de um bocado de coisa em um mesmo lugar. Coisas com texturas e sabores variados. Pensando também na possibilidade de metáforas que essas duas texturas distintas poderiam insinuar. Nada mais do que nem a metade do vendaval de olhares que capto sobre cotidianos cheio de sabores e texturas.
E tudo isso pra dizer que esse blogue não esta se parecendo nadica com o que se propôs. (:


Oxe!