quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ven


Salga de esa sombra

Ven desnudar junto a mi esas gotas de sol chispeantes entre las sábanas

Decifra con tu lengua el poema que dibujé en mi cuerpo criado para que tu versejes 


Salga de esa sombra

Ven clavar tu amor en los siete poros carentes de todos los tuyos

Expele tu placer en mi dermis y después duerme aquel sueño de lluvia en la cobija


Salga de esa sombra

Deja escurrir de ese cuerpo el sagrado, el pecado, el puro y el sucio

Ven desvendar aquello que nadie vio de atras de mis multiples velos


Salga de esa sombra

Ven tomar de mi boca lo que el tiempo dejó derramado


Ven


Ven para vivir conmigo 

lo que no fue

domingo, 6 de janeiro de 2013

Vem


Sai dessa sombra
Vem desnudar comigo essas gotas de sol faiscantes entre os lençóis
Decifra com a sua língua o poema desenhado em meu corpo criado para você recitar

Sai dessa sombra
Vem cravar seu amor nos sete poros carentes de todos os seus
Expele seu prazer sobre minha derme e depois dorme aquele sono de chuva no telhado

Sai dessa sombra
Deixa escorrer desse corpo o sagrado, o pecado, o puro e o sujo
Vem desvendar aquilo que ninguém viu atrás dos meus inúmeros véus

Sai dessa sombra
Vem beber da minha boca o que o tempo deixou derramado

Vem

Vem para viver comigo
o que não foi



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

politicus* - Velhos fantasmas


Há pouco menos de um mês a minha cidade natal elegia o candidato ao cargo de prefeito, o veterano já "conhecido" pelo povo, Jabes Ribeiro. Antes de tentar coçar ideias através desse breve desabafo, apresento um dos capítulos da história de Ilhéus. 

"Princesinha do Sul" como é chamada por muitos, Ilhéos para os primeiros portugueses, Nhoe-Kome pelos tupiniquins ou Ilhéus, como é nacionalmente conhecida, tem cerca de 184 mil habitantes com uma economia baseada na agricultura, turismo e industrias.

Foi cenário de alguns romances de Jorge Amado, uma das razões pela qual atraiu milhares de turistas de vários cantos do mundo, além  de possuir uma vasta extensão litoral considerada a maior de todo estado baiano. É assim nomeada por conta das ilhotas existentes no leste da região. 

 Já foi responsável pelo título de primeiro produtor de cacau do mundo e, por conta disso,  viveu o seu momento de glória.  Era no porto estrategicamente construido entre o mar, o rio e os montes que as embarcações dos fardos de cacau eram feitas para Salvador e de lá para o mundo.

Ao mesmo momento que vivia o seu apogeu, Ilhéus também sofreu com o coronelismo, forma de abuso de poder onde a "troca de favores" entre os poderes público e o privado garantia a riqueza de seus detentores.  

Ali, os faraós eram aqueles que possuíam os maiores lotes de terra de cacau, os que orgulhosamente enriqueciam a custo de muita mão-de-obra escrava,  os únicos pertencentes da elite tradicional ilheense, aqueles que esbanjavam banquetes e que, através de muita manipulação, obrigavam seus "escravos" a votarem em seus candidatos conseguindo assim  pomposos números de votos. 

O tempo passou, a vassoura de bruxa levou a "alumiação" do "ouro" e eu sempre ouvi dizer que o povo não tem memória e deixe-me dizer cá uma coisa, deixe: não tem! Nós não temos memória. Em minha cidade natal, o voto de cabresto continua. Vestindo outras capas e usando outras máscaras mas continua.

Continuamos votando e sendo comandados por fantasmas. O ranço do coronelismo ainda paira por essas bandas através dos que ainda oferecem cestas básicas, dos que nos conduzem sorrateiramente através de seus discursos sedutores e nós, famintos de conhecimento, de reflexão cautelosa, de ideias e ideais, de pão e de memória, nós vendemos nossas cabeças a preço de banana. 

Nos vendemos a preço de uma micareta, de um cargo em um tal setor, de uma promoção ou de um palanque cheio de bundas rebolantes. É a velha historinha do Pão e Circo se repetindo. Avé César! E assim vamos  seguindo: regredindo, comendo e nos distraindo, nos vendendo e esquecendo. Nos deixando seduzir por um discurso enganoso com essa tendência cretina que temos de nos corromper por esmola e essa outra tendência triste a de acreditarmos em promessas filhas da puta, essas propostas indecentes que aceitamos pensando somente em nosso próprio umbigo e ignorando o comprometimento coletivo. Eu disse, isso é um desabafo. 

Voltando ao assunto sobre a eleição do prefeito de Ilhéus, eu era criança mas lembro de algo. Lembro pelo menos de três promessas que ele fez para o bairro onde passei toda a minha infância e parte de minha juventude: calçamento em todas as ruas, reforma da escola o qual leva o nome dele, fruto de um projeto do seu antigo mandato e a criação de duas novas praças de lazer. 
Depois de quase 18 anos, seguimos sem calçamento apropriado nas ruas, a reforma na escola não foi feita nesse período e continuamos com uma coisa na entrada principal do bairro que pouco lembra uma praça.

Papeando por aí, ouvi a opinião de alguns conterrâneos sobre a eleição do novo prefeito, entres eles, a de alguns professores que se posicionaram como satisfeitos em relação ao novo líder argumentando que ele, em seus últimos mandatos, pelo menos administrou bem o pagamento de salário de forma que não houve atraso  dos mesmos. Perguntas que faço: administrar eficientemente o pagamento do salário de um trabalhador  é um favor? É razão suficiente para dar-se por satisfeito por uma eleição? Diante desse aspecto, qual é a situação de outros grupos, do povo em geral e da cidade? Interessa-me somente o meu salário, o dos meus colegas, o meu umbigo?

Confesso que desanimei ao ouvir de um servidor público esse tipo de comentário, há os que ainda lembram da quantidade de precatórios que existe do período Jabes Ribeiro por conta do não cumprimento de pagamento de salário em sua última administração. Supostamente, um professor deveria ter uma maior capacidade de análise afinal, comprometer-se com a educação significa também comprometer-se com a sociedade como o todo.

Jabes Ribeiro é também conhecido por ser um grande articulador político, por saber como planejar projetos e buscar recursos, contudo, os que são executados, ficam pela metade e outros abandonados. São quase doze anos de Jabes no poder e há os que ainda tem memória. O problema é que estamos cansados de termos somente grandes articuladores, esses velhos fantasmas. 




Indicações que tangem de alguma forma alguns aspectos do meu desabafo:
O Grande Ditador, 1940. CHAPLIN, Charlie (filme)  http://www.youtube.com/watch?v=LfbTYhX6Dqs
Tristeza do Jeca, 1961.  MAZZAROPI, Amácio (filme) http://www.youtube.com/watch?v=ZGbqL_BkRYs
Ganhei coragem, 2002. ALVES, Rubem (crônica) http://www.rubemalves.com.br/ganheicoragem.htm

* Política em latim 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O novo de novo.

As lágrimas sem motivação aparente sempre anunciaram o fim e o começo de algo em minha vida.
Eu estou pronta!



Google Image

terça-feira, 19 de junho de 2012

Voo a dois - Luneta 25


Uma escala, um cancelamento de voo, um telefonema e o coração na boca.
Ela estava por perto. Que sorte! Atendeu o celular e verificou o trânsito no noticiário. Não estava caótico como de costume então o convite para um café estava aceito.
Café e papo gostoso embora o barulho da multidão, típico de aeroportos, estivesse incomodando. A empresa aérea já tinha reservado a hospedagem, mas ele terminou aceitando o convite de virar a noite ouvindo o ensaio de uma banda numa garagem com alguns amigos e de jogar conversa fora com a velha amiga que não via há anos.
Depois de depositar a mala num quarto e de um banho quente, ele se oferece para fazer um café. Era fim de tarde e o dia quase frio pedia mesmo um segundo. Desta vez, um misterioso cheio de sabores. O chocolate amargo derretia no fundo da xícara se fundindo a gosto do café e a menta roçava no céu da boca. Artes dele na cozinha. O aparelho empoeirado tocava baixinho ABBA e conversa e risos se desprendiam descontraidamente.
Os anos que trabalharam juntos na fábrica trazem agora boas recordações e ele sempre soube fazê-la rir desse jeito franco e entregue.Enquanto ele falava do cotidiano, ela vagava tomada por lembranças de  outros tempos. Rapidamente, desviou o olhar desconsertado cruzando a perna e prendendo o cabelo.
Eles estavam distraídos num papo sobre haikai e os garotos estavam quase prontos na garagem. Antes, a banda precisava afinar alguns instrumentos e então, eles seriam atraídos pelo som da bateria ensurdecedora. Permaneceram sentados no sofá e o papo agradável continuou, mas eram os olhares que revelavam o que o senso negava.
Fora do seu habitat, ele ainda demonstrava discreto desconforto e insegurança através da postura tensa na beira do sofá e de gestos interrompidos. Ardente e ávida ela soube esperar sabiamente. Quando ele,  finalmente, relaxou as costas numa das almofadas ela foi até a cozinha e voltou para sentar ao lado dele oferecendo-o um copo d´água. Água que não foi bebida e que nada podia apagar.
Certos das consequências daquela aproximação, ambos começaram a se entregar.
Carícias, olhares e risos cúmplices desfeitos por abraços envolventes. Ela ainda negava seus lábios excitando-o mais e mais para que, insanamente, os dois se perdessem após terem se encontrado depois de tantos anos. 
Quando o baterista encontrou seu ritmo na garagem,  ela notou que seu corpo quente e pequeno já se encontrava descompassadamente trêmolo contra a parede fria do corredor. O rastro de roupas desapareceu dos corpos e agora a noite estava ali, inteiramente despida. 
Um beijo foi roubado, ofegante, o mais bonito e torturador. Beijou outra vez, cheirou e abraçou enquanto era arrastada pelos quatro cantos. As mãos grandes guiavam o rosto dela até os olhos dele e, com acidez a direita estapeou uma das faces. O mundo parou. Um abraço seguido de choro foi dado e palavras escavadas pelo tempo foram cuspidas na cara.
Pranto, pranto e mais abraços. Depois, somente o fogo.
Arrancou-lhe a saia, desabotoou a camisa, mordeu, beliscou, examinou e, de joelhos, abraçou as pernas dela  lançando um olhar comprido e pedinte, quase como os dos devotos em fila de procissão. Esqueceu do passado em segundos, o tempo era o Agora: abocanhou, lambeu e chupou-lhe os quatro lábios. Levantou, abraçou pela derradeira vez, acariciou o lado da face ainda quente pelo tapa e abriu-lhe as pernas com veracidade acomodando a cabeça nas coxas para ali, despetalá-la de fora para dentro em ritmo descompassado.
Respirou, suspirou e se contorceu inteira. Ele seguiu soprando e encostando a  língua bruscamente e afastando de uma outra maneira mais lenta e repetindo tudo e acabando com tudo e reconstruindo tudo. Tudo, tudo, tudo.
Lambeu e lambeu reverenciando o desabrochar e com tal intimidade como se sua língua e o clítoris fizessem parte do mesmo tecido. Subiu e beijou-lhe a boca, abocanhou suavemente os seios, brincou nos ouvidos, no umbigo e com as mechas do cabelo.
Ela viu e vislumbrou o peito. Deitou sobre os pelos. Lambeu os lábios e os olhos. Esfregou os mamilos e as partes quentes na barriga dele. Mordiscou ali e lá. Mordeu mais, apertou mais e umedeceu o falo sem nada falar. Devorou-o!
Pôs-se  roxo e teso por completo acendendo e apagando... Vagalumeando-ando, ando. Chupou e chupou. Das veias, quase escorria mel. Deslizou, empurrou e prendeu no céu da boca. Engasgou, mas respirou fundo para aquele beijo suave-sem-fim. E porque palavra não descreve, a gente geme. E ele gemeu baixinho, quase de dor, quase de prazer e avançou sem pudores. Parecendo bicho, parecendo brisa, parecendo SP apressada. Tirou, apertou o olho, esmurrou o colchão e sugou os lábios dela pela milésima vez.
Em silencio, ela o-comeu. Cavalgou. O corpo dançou ondulado, mais ainda que os cabelos. As mãos cravadas na cintura estimulavam o movimento. O mais profundo. As certezas estavam todas ali, conectadas em movimentos e palavras mudas. O corpo de pé e nu, pendeu suave nas costas feminina e as mãos de macho se encheram de ancas. Ele meteu, ela cerrou os olhos e  músculos internos. Brincou, olhou e sussurrou. Comeu! Sorriram! Abraçaram-se em concha levando as mãos nos seios num delírio gostoso. O falo aceso roçou as nádegas dela e se projetou como raio rasgando o céu vermelho. Quadril e tronco dançaram freneticamente, os lábios ficaram presos entre os dentes, o saco vibrou vigoroso entre as coxas e, juntos, sucos exalaram.
Amores escorreram entre pernas e lençóis.
Corpos deitaram em meia-lua, trémulos ainda.
Sem culpas e configurações.