quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Quartinha boa!

                                                   
                                                          A bicharada agitada lá fora ....


                                                                  Chuvinha que acalma...


                                            Afternoon off e um dos meus desenhos favoritos on... ah!


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Essa mulher

(Dedicado a William Silveira Castro e Antonia Carlin)

Tinha dias que ela ia me ver. Não avisava, chegava como se caminhasse na ponta dos pés.
Me encontrava em qualquer canto da casa e, sem dizer uma palavra, me beijava.
Um daqueles que engole a alma da gente. Daqueles que diz sem nada dizer. Um beijo.
Me beijava atrás da porta, do armário e da estante de livros.
Dentro do banheiro, nos corredores vazios e nos elevadores.
Escondidinho, me beijava.

Às vezes ela telefonava  para perguntar sobre como foi o meu dia e outras para dizer como foi o dela.  Quando o assunto terminava, até o silêncio era bom. Sobrava o riso. 
Era uma otima ouvinte e oradora. Dona de uma fala que fazia pensar e escuta que confortava. Atenciosa e divertida, cuidadosa com ela e com quem estava ao redor. Dedicada em tudo que se voluntariava, até nas obrigações mais chatas. Autêntica e sedutora. Tudo junto. Toda ela.
Era ela.

De vez em quando me levava ao cinema. No caminho, parava para me beijar em frente ao cemitério. Fazia convite para almoçarmos juntos, preparava uma comida que eu nunca disse que adorava. Movia a TV da sala para o quarto somente para ver filmes com as pernas agarradas às minhas.
Cheia de tatos e manhas.

Tinha dias que me acordava para dizer que estava encantada e acho que nem sabia que quem de fato estava era eu.
A fome que sentia era parte do feitiço. Uma gulodice gostosa e sem pecados.
Essa mulher me comia na estrada, no banheiro feminino, no chão do ap, no sofá da sala, na cama e no carro. E ainda me chamava de 'doido'... veja! Ela me amava com a força do sentimento de quem externa toda tristeza e beleza do mundo. Um amor cheio e pulsante.
Inteiro.

Às vezes eu ficava bisbilhotando como ela dormia. Toda largada na cama, parecia que estava aprendendo voar. O corpo cheirava amêndoa doce e a  mão ficava quase sempre estendida sob o peito. Peito cheio de vida e de ideias criativas. Pleno de disposição e vontades.
Cheio de tudo!

Tinha dias... não, não! Todos os dias, ela vinha com uma graça. Uma piada, uma sacada do trecho de um livro, de um filme, de uma tirinha. Todo dia uma gargalhada provocada. Riamos juntos. Eu ficava com cara de bobo, pensando como alguém tão extrovertida cheirava tanto à timidez superada. Cheiro que a tornava ainda mais interessante.

De vez em quando me emprestava dinheiro, deixava bilhetinhos em alemão em meus livros, fazia versos, ensaiava  musica no violão, penteava meus cabelos com a ponta dos dedos, via peça de teatro sozinha, ficava chateada quando eu ria sozinho sem compartilhar a graça, entrava de surpresa no chuveiro, me amava e, de muitos jeitos, me mandava para o inferno.
Eu ia. Todo feliz.

Essa mulher que tanto eu seduzi, que tanto me seduziu, que tanto me quis e eu quis igualzinho.
Essa  mulher morta ainda vive em mim.
Como se fosse ontem.


domingo, 29 de janeiro de 2012

Entre mil micaretas, continuo careta.



Nesse descrito pela jornalista , eu não pulo e nem festejo. Fala de quem já tentou curti e fechar os olhos para os aspectos citados acima. Não, obrigada! Prefiro continuar a caretinha de sempre e com muito gosto.
Do carnaval, salvo somente alguns em alguns cantos escondidos do Brasil  onde  um discreto aglomerado consegue  apropriar-se  da riqueza do saber popular e expressar  arte e música de qualidade sem intenção de lucros, ibopes e disputas estúpidas. Esses sim, eu apoio, aplaudo e ainda pulo.


Organizando minha zona aqui

Luneta

- textos inspirados em um dos meus passatempos favoritos: observar o comportamento de pessoas em lugares corriqueiros. É também inspirado em minha vida e em conversas com amig@s e conhecid@s no cotidiano;
- reescrita de textos antigos;
- apropriar-me de minhas próprias impressões no momento e exercitar minha escrita, uma das minhas  formas preferidas de expressão.


Minha vida em imagens


- desafio;
-  prazer de  fotografar sem compromisso;
- tentativa de mostrar o meu cotidiano e o que vejo à minha volta através de imagens feitas por mim durante todo o ano de 2012. (enrascada pura!)


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Palhaço

A luz se acende no meio do picadeiro. Uma cortina se abre, e um palhaço salta em frente ao público. Nada faz. Fica ali parado como se se tratasse de um boneco de brinquedo. O silêncio do público é de expectativa. De onde virá a graça naquilo tudo? Mas hoje não haverá graça nenhuma, nem humor, nem estripulias, pois o palhaço quebrou. Todos os olhares concentrados nele e ele a olhar para o vazio, pensando no que fará a seguir. Talvez não faça nada, apenas dê um sorriso, falso, talvez diga buh! para fazer as crianças rirem assustadas, talvez mais um pulo e um adeus. Resolve por uma gargalhada. Todo mundo ri. Ele olha a todos calado, sério, tristíssimo palhaço, como naquele poema do poeta da antiga Desterro, Cruz e Souza. Novo silêncio e outra gargalhada, esta cômica, de acento hilariante. O público ri mais ainda e todos riem juntos, o palhaço que quebrou também. Mas o público quer novidades, quer imaginar coisas novas, porque imaginar sozinho não pode. O palhaço, calado, pensa. Uma criança ri sozinha tentando imitar os adultos. Quer ser aceita, como todos ali presentes, com exceção do palhaço. De repente um grito. O palhaço gritou. Gritou alto, um grito lancinante, de fera abatida, de monstro que se agita. O palhaço é vaiado, muitos se assustam, velhos, adultos, crianças. Mas ele continua no centro do picadeiro. O dono do circo sem compreender nada, nem as trapezistas, os equilibristas, os gospe-fogo e os malabares. Terá enlouquecido o palhacinho do circo? Terá cansado da vida de palhaço? Abruptamente dá um salto pra frente, e outro grito, ainda maior, como quem se aquece para a grande peça. O salto, um grito e outra gargalhada, a gargalhada mais triste já vista, carregada de deboche, de zombaria. Ninguém riu. Deu pena do palhaço, “olha”, alguém disse, “vejam, ele está com o coração partido”. O rosto cheio de lágrimas, o palhaço trepado nos limites do picadeiro encarava o público. A fantasia não lhe cabe naquele dia, talvez nunca mais lhe caiba. “É, sim, vejam, ele chora!” E, como que por contágio, repentinamente, as pessoas também começam a chorar, até mesmo os homens. Choram sem saber o que está havendo, o que vai acontecer. Choram por compartilharem a mesma fantasia, todos os dias, colocar e tirar a maquiagem, a roupa de palhaços, os sapatos compridos, os truques para fazer rir. Choram um choro que vai se avolumando, tornando-se caudaloso, como um rio de sofrimento e dificuldades. Choram as recordações, as saudades, as injustiças, a fome e o medo. Ele conseguiu o efeito. E o palhaço vai se despedindo num aceno, faz uma pirueta em pleno ar e, ainda limpando as lágrimas, houve os aplausos que não param, e volta ao picadeiro para um último grito, e todos gritam juntos, e o mundo se transforma, ao menos naquele momento, naquela noite. Toda a lógica do mundo quebrada, não pelo humor, mas pela dor. O palhaço é um sucesso, e é a primeira noite que não se lamenta por isso. Não sai feliz, nem triste, nem palhaço. Sai humano.


(Alexandre Magno da Silva)

D@s talentos@s com...



Holmes II

Algo de chocolate, café e mel. A imaginação gulosa deseja assim. 
No silêncio das palavras que não se diz, um colorido, uma festa e um indecifrável. 
Na alegria da chegada, o brilho moreno que afeta o olhar dissimulado. 
E ali, no fundo da alma, o segredo do doce que só na fantasia é. 
Mas o certo doutrina o segredo do sentir, mesmo quando escapa através dos olhos! Na alegria morna do esconderijo, brotam flores de encantamento. 
O pensamento travesso, que razão não domina,  teima em voar pra lá, 
para perto. E fica. Mas sabe do não pode! 
Esquece o amigo para almejar o outro, numa troca solitária de para sempre,
de um lado único como muro grande, do não-nunca-jamais... 
O extrato de tudo é o sorriso leve, o querer engraçado, com ares de passarinho ousado. Que chega perto e voa ao menor gesto. E  tudo jaz e brilha  na caixinha dos segredos dela.