segunda-feira, 12 de março de 2012

Luneta 2008 - A sede II


- Não gosto quando você bebe. Você fica agressiva.
- Não é agressividade. É... sei lá,  é sede. Se eu te contasse, não entenderia.
- Então bebe água.
- Não é de água.
- De água o quê?
- A sede.

(...)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quando o feitiço vira contra o feiticeiro



Cheguei do trampo outro dia e Namorado pediu ajuda para subir no telhado.  Há alguns dias, descobrimos que temos um danado de esquilo entrando pela chaminé e fazendo morada no attic. O bicho faz muito barulho e já sabemos que eles podem destruir instalações elétricas como ratos. 
Nos indicaram colocar uma tal cayenne pepper (um tipo de pimenta) por onde ele está entrando. Eu só confio na malagueta. Sugeri fazermos uma mistura com vaselina, pasta de pimenta malagueta e essa tal cayenne para que o vento não atrapalhasse a operação. Desacreditado que essa seria uma boa opção, preferiu a primeira. "Tudo bem, boa sorte!"
Já no teto, compenetrado na operação 'vou fUder com esse esquilo', passou um vento e...  soprou pimenta em pó direto no olho dele. Desesperado e tentando se equilibrar para não cair do teto, apontou com uma das mãos o que não estávamos vendo anteriormente:
O danado do esquilo sentadinho, nos assistindo, "todo de boa" em uma parte do telhado. Foi difícil não rirmos também. Às vezes acontece... o feitiço vira mesmo contra o feiticeiro. O jeito é rir. 



sexta-feira, 2 de março de 2012

Como os ventos, mudamos.



Um dia desses perguntaram-me sobre minhas possíveis crenças religiosas, para onde o espírito vai quando o corpo morre e quais eram as certezas que eu tinha sobre a vida. Acho que a resposta para a primeira pergunta não foi bem quista. Respondi simplesmente que não sei. Assim, simples: "Não sei para onde o espírito vai e se vai para algum lugar,  não tenho como base de vida dogmas religiosos e hoje sinto-me mais feliz com minhas incertezas e questionamentos."  

Parece que não saber e/ou não responder uma pergunta de acordo com as quais as pessoas querem e esperam ouvir causa muito desconforto e, por vezes, ira. Que pena! Eu vou continuar causando porque sou ateia e enquanto as respostas dadas por dogmas religiosos ou qualquer veiculo de debate sobre tais assuntos não fizerem sentido para mim, continuarei  aberta à novos questionamentos sobretudo à novos modos de ver e entender a vida. 
Já sobre certezas, mesmo sendo elas muitas vezes traidoras, eu me arrisquei em uma somente: "Mudanças. Talvez uma das únicas certezas da vida"  Respondi.

A cada instante, temos ciclos lunares diferentes e com eles o movimento das águas; durante doze meses, temos novas estações da natureza trazendo com elas ventos, cores, cheiros e sabores diferentes. 
Mudamos de endereço, de namorado, do trajeto por onde sempre passávamos, de paladar, de corte de cabelo, país, opinião, humor, religião, atitude, os moveis de lugar, o jeito de olhar a vida. Mudamos o curso de nossa história e até nome de blogue. (:
Perdemos o interesse pelo trabalho porque descobrimos que aquilo que fazíamos não nos dava mais possibilidade de criar; pela esposa porque a relação já não satisfazia; por certas leituras porque não nos saciava mais o prazer e curiosidade, por alguns amigos porque  a essência da amizade se perdeu no caminho, por certos hábitos porque optamos viver de modo mais saudável. 


E assim as mudanças vão acontecendo. Às vezes por nossa própria escolha e outras nos chegam de surpresa, sem pedir lincença mesmo. Algumas grandes e fazendo  pouca diferença, outras vezes pequenas mas tomando dimensões gigantes em nossas vidas. Ora desagradáveis, ora nos enchendo de alegria, nos alavancando de um ponto. Com sensibilidade, podemos ver caminhos extraordinários e isso é possível se deixarmos as velhas amarras. 

Eu que sempre recebi bem a possibilidade de mudanças, que sempre tive o atrevimento d@s aventureir@s,  tenho passado por algumas e, sobre elas, tenho muito pensado, não somente porque estão mudando a mim mesma mas por tudo que tenho visto se transformar em grandes e pequenas proporções ao meu redor.
Vejo alguns olhares mais corajosos apesar dos muitos desafios; vejo esperanças renovadas; vejo também corazones partidos mas ainda firmes apesar das pancadas e do medo de recomeçar sozinhos; vejo falas duras mais flexíveis e pessoas mais dispostas a escutar sinceridades, o que não querem dizer 'verdades' mas merecem alguma reflexão. 

Se mudanças doem, incomodam, se agradam ou fazem feliz, se fazem um mundo de diferenças ou quase nada, eu ainda posso escolher crescer com elas e por isso deixo impresso meu sorriso franco e feliz.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Quartinha boa!

                                                   
                                                          A bicharada agitada lá fora ....


                                                                  Chuvinha que acalma...


                                            Afternoon off e um dos meus desenhos favoritos on... ah!


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Essa mulher

(Dedicado a William Silveira Castro e Antonia Carlin)

Tinha dias que ela ia me ver. Não avisava, chegava como se caminhasse na ponta dos pés.
Me encontrava em qualquer canto da casa e, sem dizer uma palavra, me beijava.
Um daqueles que engole a alma da gente. Daqueles que diz sem nada dizer. Um beijo.
Me beijava atrás da porta, do armário e da estante de livros.
Dentro do banheiro, nos corredores vazios e nos elevadores.
Escondidinho, me beijava.

Às vezes ela telefonava  para perguntar sobre como foi o meu dia e outras para dizer como foi o dela.  Quando o assunto terminava, até o silêncio era bom. Sobrava o riso. 
Era uma otima ouvinte e oradora. Dona de uma fala que fazia pensar e escuta que confortava. Atenciosa e divertida, cuidadosa com ela e com quem estava ao redor. Dedicada em tudo que se voluntariava, até nas obrigações mais chatas. Autêntica e sedutora. Tudo junto. Toda ela.
Era ela.

De vez em quando me levava ao cinema. No caminho, parava para me beijar em frente ao cemitério. Fazia convite para almoçarmos juntos, preparava uma comida que eu nunca disse que adorava. Movia a TV da sala para o quarto somente para ver filmes com as pernas agarradas às minhas.
Cheia de tatos e manhas.

Tinha dias que me acordava para dizer que estava encantada e acho que nem sabia que quem de fato estava era eu.
A fome que sentia era parte do feitiço. Uma gulodice gostosa e sem pecados.
Essa mulher me comia na estrada, no banheiro feminino, no chão do ap, no sofá da sala, na cama e no carro. E ainda me chamava de 'doido'... veja! Ela me amava com a força do sentimento de quem externa toda tristeza e beleza do mundo. Um amor cheio e pulsante.
Inteiro.

Às vezes eu ficava bisbilhotando como ela dormia. Toda largada na cama, parecia que estava aprendendo voar. O corpo cheirava amêndoa doce e a  mão ficava quase sempre estendida sob o peito. Peito cheio de vida e de ideias criativas. Pleno de disposição e vontades.
Cheio de tudo!

Tinha dias... não, não! Todos os dias, ela vinha com uma graça. Uma piada, uma sacada do trecho de um livro, de um filme, de uma tirinha. Todo dia uma gargalhada provocada. Riamos juntos. Eu ficava com cara de bobo, pensando como alguém tão extrovertida cheirava tanto à timidez superada. Cheiro que a tornava ainda mais interessante.

De vez em quando me emprestava dinheiro, deixava bilhetinhos em alemão em meus livros, fazia versos, ensaiava  musica no violão, penteava meus cabelos com a ponta dos dedos, via peça de teatro sozinha, ficava chateada quando eu ria sozinho sem compartilhar a graça, entrava de surpresa no chuveiro, me amava e, de muitos jeitos, me mandava para o inferno.
Eu ia. Todo feliz.

Essa mulher que tanto eu seduzi, que tanto me seduziu, que tanto me quis e eu quis igualzinho.
Essa  mulher morta ainda vive em mim.
Como se fosse ontem.


domingo, 29 de janeiro de 2012

Entre mil micaretas, continuo careta.



Nesse descrito pela jornalista , eu não pulo e nem festejo. Fala de quem já tentou curti e fechar os olhos para os aspectos citados acima. Não, obrigada! Prefiro continuar a caretinha de sempre e com muito gosto.
Do carnaval, salvo somente alguns em alguns cantos escondidos do Brasil  onde  um discreto aglomerado consegue  apropriar-se  da riqueza do saber popular e expressar  arte e música de qualidade sem intenção de lucros, ibopes e disputas estúpidas. Esses sim, eu apoio, aplaudo e ainda pulo.